Assessorei no STF e no TSE uma das figuras mais geniais que conheci. Tímido ao extremo e genial quando tinha um processo na sua mesa, o saudoso ministro José Paulo Sepúlveda Pertence, mineiro de Sabará, era irônico ao extremo. Convivi tanto com ele, nos tribunais, nos restaurantes, nos aviões mundo afora que também fiquei irônico. Não igual a ele. Certa vez ele me disse que ficava possesso – tinha a mania de morder as canetas BIC ou balançar as chaves que estavam no bolso da calça – quando lia a palavra fulcro nas petições dos advogados. “Se tiver fulcro na petição, eu nego o pedido”, disse ele dando uma sonora gargalhada.
Fulcro é o ponto de apoio, sustentáculo ou a base fundamental sobre a qual algo se apoia, gira ou se fundamenta. A palavra possui aplicações práticas e figuradas em diferentes áreas do conhecimento. Na linguagem jurídica, é comum a expressão “com fulcro em” para indicar que um pedido, petição ou decisão está apoiado, baseado ou fundamentado em uma lei, artigo ou fato específico.Sentido figurado: Representa o cerne, o âmago ou a ideia principal de um problema ou argumento.
