Em 1997, o então presidente do STF, o genial ministro José Paulo Sepúlveda Pertence prestigiou a solenidade de posse do seu ex-colega ide Supremo e TSE, ministro Francisco Rezek na Corte Internacional da Haia. Eu, como de costume, acompanhei o ministro Pertence, até porque fui assessor de imprensa do ministro Rezek no TSE na primeira eleição presidencial após longos anos de regime militar. Terminada a cerimônia, Pertence me chamou para dar um giro nas salas do tribunal. O STF e conhecido por distribuir milhares de processos anualmente aos seus integrantes, enquanto a Corte de Haia também é conhecida mas por distribuir um número muito reduzido de processos. Notei que Pertence olhava cada sala com muita atenção, na verdade com uma expressão de preocupado. Acabei perguntando: ministro, está tudo bem? Ele, com muita ironia – uma de suas especialidades – respondeu: “estou procurando a sala da distribuição dos processos”. Demos uma sonora gargalhada.
