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Os 40 anos do Revista Nacional

O programa que ajudei a criar em 1986, o Revista Nacional, atualmente chamado de Revista Brasil, da Rádio Nacional completa 40 anos ininterruptos no ar. Criado em 6 de agosto de 1986, o programa estreou com o objetivo de inovar o radiojornalismo brasileiro. Sempre sob o comando do jornalista Valter Lima, a revista jornalística traz entrevistas e reportagens para garantir que os ouvintes se mantenham informados sobre os acontecimentos mais relevantes do Brasil e do mundo. O âncora destaca que a essência do Revista Brasil é buscar a notícia na origem, “não importa a distância”. O programa conta com a participação de repórteres da Agência Brasil, do radiojornalismo e de emissoras como a Rádio França Internacional e a Rádio Universitária de Roraima. Sugerido inicialmente pelo jornalista Irineu Tamanini e estruturado por nomes como Carlos Zarur, tendo o jornalista Valter Lima na ancoragem diária, a edição comemorativa dos 40 anos resgata memórias da emissora e homenageia profissionais marcantes da casa.
Até deixar a reportagem em 1989, quando fui convidado para ser o porta-voz do Tribunal Superior Eleitoral na eleiçõo presidencial daquele ano – a primeira eleição direta após 25 anos de regime militar – participei de grandes coberturas jornalista no Brasil e no exterior. Tive a oportunidade de rodar o mundo nas asas da Varig. Fui ao Japão duas vezes, à China, França, Portugal, Estados Unidos etc… Ao todo, tenho mais de 140 viagens ao exterior.
Era repórter do programa do Valter Lima e fique sabendo que o todo poderoso na época, o ministro do Exército, Leonidas Pires Gonçalves ouvia com frequência em casa de manha cedo o Revista Nacional. Certa vez encontrei com ele nos corredores do Palácio do Planalto e disse: ministro, eu sou o Irineu Tamanini. Ele respondeu: “é daí ?”. Emendei: sou repórter do Revista Nacional. Ele parou e disse: “meu programa de rádio preferido. Ouço diariamente você e o Valter. Parabéns pelo programa”.
Um fato interessante ocorreu quando estava em Roma e levei até à sala de imprensa montada pelo governo o cantor Gilberto Gil. Usávamos a conhecida “caixa de sapato”, uma linha direta montada pela Embratel que permitia ficar ouvindo a rádio Nacional 24 horas por dia.
Quando o Gilberto Gil chegou para a entrevista ele se assustou ao ouvir o som da rádio em solo italiano. Ele me perguntou: “nao sabia que a rádio Nacional, que ouço direto no Rio de Janeiro, pegava também Roma”. E completou: ” o bom de dar entrevista para a rádio Nacional é que você fala para todo o Brasil de uma vez só”. Gil concedeu uma bela entrevista para o Revista Nacional.
Graças a “caixa de sapato”montada pela rádio fiquei sabendo da morte do poeta Carlos Drumond de Andrade. Estava hospedado em um hotel próximo do hotel da comitiva do presidente José Sarney. Já era noite e fui até à suite presidencial e solicitei aos assessores mais próximos para dar a notícia ao presidente da República. Sarney autorizou a minha entrada e fui eu quem dei a notícia para ele da morte do nosso poeta. Tenho mil histórias dessa “caixa de sapato”. Em Moscou, por exemplo, quando cheguei no quarto onde ficaria hospedado a linha direta já estava pronta para ser conectada. O interessante é que os técnicos russos colocaram a linha dentro do banheiro. Nessa viagem dividi o quarto com o meu velho amigo, o brilhante e competente cinegrafista Evori Gralha. Tenho até foto transmitindo as notícias sentado na privada. Evori dava gargalhadas.
Na Rio 92, eu já era assessor da presidência da República e montei um esquema especial para o Valter Lima transmitir o Revista Nacional ao vivo, como sempre. Consegui um helicóptero e Valter fez o programa sobrevoando a zona sul do Rio de Janeiro. Já existia nessa época o telefone celular.
Na época em que fui assessor de imprensa do Supremo Tribunal Federal convidava os ministros para dar entrevista ao vivo no Revista Nacional. O então presidente do STF, o saudoso ministro Sepúlveda Pertence, e os ministros Sydney Sanches, Francisco Rezek, Neri da Silveira, Carlos Mário Velloso gostavam muito do Valter e do programa. Toda vez que o Valter solicitava para que um deles entrasse ao vivo no programa, eles aceitavam de imediato.
Tenho mil histórias. Vou deixar para contar quando o programa completar 80 anos. (rsrsrsr)

OBS: nao posso deixar de registrar um nome que ajudou demais o Valter Lima nesses longos anos e que, lamentavelmente, nos deixou muito cedo, no ano 2000,: a repórter Andhreia Tavares.

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