Moderna, contemporânea e versátil. Assim é descrita Virgínia Gasparini Tamanini, escritora, pintora e dramaturga capixaba, autora do romance “Karina”, considerado um dos primeiros registros artísticos sobre a imigração italiana no estado. Virginia era tia do meu saudoso pai, Waldemar Henrique Tamanini. Ambos nasceram no município capixaba de Itarana. Virgínia Gasparini Tamanini nasceu em 4 de fevereiro de 1897, em uma fazenda no Vale do Canaã, em Santa Teresa, filha dos imigrantes Giuseppe Epifanio Gasparini e Cattarina Cassandra Tamanini. Sem frequentar a escola formal, alfabetizou-se de forma autodidata com o apoio de familiares e professores particulares.
Casou-se em 1915 com Lourenço Luiz Tamanini (irmão do meu avô, Eugenio Tamanini), comerciante de café, com quem teve sete filhos. Além de Santa Teresa, viveu no Rio de Janeiro, em Itapina (distrito de Colatina) e em Vitória, experiências que inspiraram suas obras ao longo dos anos. Aos 67 anos, escreveu o romance “Karina”. A obra é considerada um marco em sua carreira, conferindo-lhe maior visibilidade nacional.
“O livro retrata a história da mãe dela como imigrante chegando ao Brasil. Após sair de Santa Teresa, Virgínia morou em Itapina, onde conheceu novas paisagens e vivenciou as altas e baixas do ciclo do café, temas recorrentes em seus trabalhos. Mais tarde, passou a expressar essas vivências pela pintura, representando locais e situações com riqueza de detalhes”, conta o pesquisador e músico Victor Biasutti.
O pesquisador consultou artistas renomadas, como Ângela Gomes e Nona Rostagno, que atestaram a qualidade das telas, associando-as ao estilo naïf. “A pintura dela foi descrita como a de ‘um adulto pintando como criança’. Ela conseguia criar esses quadros sem nunca ter frequentado uma escola de artes ou recebido instruções técnicas. Isso era nato”, afirma Biasutti.
A artista faleceu em 18 de outubro de 1990, em Vitória, aos 93 anos. Sua memória, no entanto, permanece vibrante.
“Virgínia continua moderna. Se estivesse aqui, estaria do mesmo jeito: produtiva e capaz. Ela é atemporal”, conclui Victor.
