Quando era criança aqui no Rio de Janeiro tinha verdadeira alucinação pela bicicleta Caloi ou Monark. Dividia o meu tempo entre jogar futebol, andar de bicicleta e ir à praia. Cresci e, por mais incrível que pareça, nunca me interessei por andar de moto. Isso deveria ser uma contingência. Hoje, aos 71 anos, lembrei que andei apenas uma vez de moto após deixar o hábito de andar de bicicleta. Foi em Sevilha, na Espanha, em 1982, depois de um jogo da Seleção Brasileira (não lembro o adversário). Terminada a partida, tinha que ir para o hotel onde estava hospedado para escrever a matéria e enviar por telex para a editoria de esportes do Correio Braziliense. O estádio estava lotado e na saída ninguém conseguia passar em virtude do número excessivo de carros. Fui entrando em desespero mas achei uma saída: pedi carona a um motociclista e saí rápido daquele trânsito infernal.
Hoje, conversando com um velho amigo, jornalista, tricolor das Laranjeiras como eu, e presidente da Academia Paranaense de Letras, Ernani Buchmann (ele reside em Curitiba), veio à tona na conversa o tema moto. Contei a minha história e ele emendou: ” andei de moto uma vez. Estávamos em um cruzeiro, com parada em São Francisco do Sul. Nos atrasamos em um restaurante e fui obrigado a mandar a família de carona. A mim restou pegar carona com um motoqueiro que usava uma camisa velha do Joinville, com o nome do lateral Alfinete nas costas. Quando cheguei a buzina do navio estava dando seu último aviso de partida”.
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