Em 1970 eu tinha 15 anos e meu pai trabalhava em dois empregos e nos finais de semana ia do Rio para Pirai cuidar de um posto de gasolina no km 84 da rodovia Presidente Dutra, sentido Rio-Sao Paulo, que tinha adquirido juntamente com meu tio Celmo. O nome do posto se chamava Blumenau. Meu pai teve uma estafa profunda e o médico disse que ele tinha que ir para São Lourenço (MG) descansar.
A história abaixo foi contada pelo jornalista Silvestre Gorgulho, nascido em São Lourenço e há muitos anos residindo em Brasília:
Corria o ano de 1938. O escritor Manuel Bandeira, por recomendação médica, foi fazer uma estação de água na Estância Hidromineral. Toda manhã o poeta andava pelo Parque das Águas e sempre pegava seu barquinho para alguns exercícios. Mas a melhor lembrança que deixou para a cidade, além da recuperação de sua saúde, foi
esta poesia:
BARCO SONHADOR
Manuel Bandeira
Não sou barqueiro de vela,
mas sou um bom remador
No lago de São Lourenço
Dei prova de meu valor.
Remando contra a corrente
Ligeiro como a favor
contra a neblina enganosa
Contra o vento zumbidor.
Sou nortista destemido
Não sujeito roncador
No Lago de São Lourenço
Dei prova de meu valor.
Uma só coisa faltava
No meu barco sonhador
Ver assentada na popa
O vulto do meu amor.
Aí era bom demais…
Sorriso claro dos anjos
Graça de Nosso Senhor.
