Eu e o repórter-fotográfico Gustavo Miranda fomos designados pelo saudoso José Escarlate, da extinta EBN, para fazer uma matéria de contrabando em Pedro Juan Caballero, capital do departamento de Amambay, no Paraguai, famosa por sua fronteira seca com a cidade brasileira de Ponta Porã (MS). Fomos em uma Brasília de Campo Grande até Pedro Juan. No mesmo carro seguiram três policiais federal fortemente armados. A estrada era péssima. O carro atolou. Tivemos que pedir socorro a um nativo que dirigia um trator para sair do atoleiro. Na chegada à cidade paraguaia um dos policiais orientou para que colocássemos na ficha de entrada do hotel um nome e a profissão falsos. Era para evitar qualquer tipo de problema com os contrabandistas. À noite saímos para jantar com os policiais federal em um restaurante próximo do hotel. Notei que um dos policiais colocou a arma em cima da mesa. Perguntei se estava acontecendo alguma coisa. Ele apontou para um dos frequentadores do restaurante e disse: prendi essa bandido há pouco tempo atrás e ele já está solto.
Passamos dois dias em Pedro Juan Caballero e voltamos pela mesma estrada para Campo Grande. Chegamos no final da tarde mas nosso vôo para Brasília era bem no final da noite. Fomos recebidos pelo chefe da sucursal, o médico ( formado na Bulgária ) e jornalista, Joao Borborema Cabeçudo. Ele então nos convidou para ir para a sua casa tomar um banho. Entramos no seu carro e na saída do aeroporto tinha uma ladeira com cruzamentos perigosos, Tudo escuro e o Cabeçudo ao volante. Não aguentei e perguntei a ele: você sabe que está de noite? Sei, respondeu. Então faça um favor: ligue os faróis.
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