Em 1970, tinha 15 anos quando fui com meus pais pela primeira vez em São Lourenço, uma charmosa estância hidromineral no Sul de Minas Gerais, famosa por suas águas termais e medicinais. Ficamos hospedados no hotel Normandy, localizado bem em frente da entrada do parque das águas. Meu pai teve recomendação médica para passar alguns dias em São Lourenço porque trabalhava muito e estava com estafa. O sistema no hotel era de pensar completa: café, almoço e janta. No café da manha descobri um queijo maravilhoso, o queijo Minas. Era macio, delicioso. Perguntei ao garçom como eles faziam para o queijo ficar tão delicioso: “o queijo que você está comendo hoje foi feito ontem”. Nunca mais deixei de comer o queijo. Na verdade, como até hoje. Tempos depois o hotel Normandy foi demolido e em seu lugar construíram um prédio.
Quando chegamos no hotel a turma da recepção foi logo dando uma orientação muito importante. Não experimentem todas as águas dentro do parque, apesar delas terem propriedades terapêuticas e medicinais. Se beberem todas, vão ter que correr para o banheiro.
Nessa mesma viagem, andei pela primeira – e única vez – de cavalo. Era uma eguinha branca, com muita idade. Não sabia nem como subir. Meu pai, que foi criado no interior do Espírito Santo, é que me ajudou. Não gostei e nunca mais andei de cavalo. Na entrada do parque das águas tinha charrete para alugar.
Lembro ainda de um clube fora da cidade que tinha um campo de futebol enorme. Desde criança sempre adorei jogar futebol. Sou torcedor apaixonada, como meu saudoso pai, do Fluminense. Todo dia tinha “pelada” e eu estava sempre presente.
Mais uma lembrança. Ficava sentado no muro do hotel Brasil – o hotel mais rico da cidade – no final da tarde conversando com os amigos que fiz rapidamente. Um dos temas era um tal de whiskie de Pedralva. Não bebia nada, como até hoje, e não entendia o que era isso. Depois, descobri que whiskie de Pedralva era, na verdade, como os mais velhos chamavam a cachaça da cidade.
Cresci e nunca mais deixei de ir passear em São Lourenço. Fui com meus pais, depois com a Carmen e meus filhos Rodrigo, Daniela e Rafael.
Obs: meu amigo de longa data, o Silvestre Gorgulho, mora em Brasília mas nasceu e foi criado em São Lourenço. Ele explica o que significa Pedralva: “Pedralva é uma cidade a 35 kms de São Lourenço. Lá, tem uma cachaça muito boa. É o único lugar nop mundo que tem um açougue que vende linguiça a metro”.
