Eu (Irineu Tamanini, repórter da rádio Nacional de Brasília, e o Edson Bastos, o “Amigão”, técnico de áudio da rádio e tv Nacional, da Radiobras, cobrimos, nas proximidades de Imperatriz, no Maranhão, a inauguração, pelo então presidente da República, José Sarney, da estrada de ferro dos Carajás. Viajamos no mesmo trem onde estava o presidente da República, claro, em vagões diferentes. Tudo começou com um desafio gigantesco: como transportar milhares de toneladas de minério de ferro do interior do Pará até o litoral do Maranhão. A solução do governo federal da época foi construir uma ferrovia de 892 quilômetros. As obras começaram e 1982, atravessando florestas e terrenos extremamente difíceis. Em 28 de fevereiro de 1985 a estrada de ferro Carajás foi inaugurada. Consegui transmitir ao vivo, no meio da ferrovia, o discurso inaugural feito pelo presidente Sarney. Só tinha um telefone em uma cabine construída de forma muito precária. Quando eu e o “Amigão”, chegamos na cabine havia uma pessoa usando o telefone. Já cheguei com o fio que o “Amigão” tinha instalado no microfone do Sarney gritando, sai, sai, preciso usar esse telefone. Essa pessoa ficou tão atônica que não conseguia dar uma única palavra. O “Amigão” ligou para os estúdios da rádio Nacional e poucos minutos depois transmitia ao vivo o discurso. A odisseia não terminou aí. Quase ficamos a pé no meio da ferrovia. Foi um sufoco. Quando terminou o discurso o presidente Sarney e comitiva voltaram para o trem com destino a São Luís. Eu e o técnico Amigão, tivemos que recolher os fios que ligavam o microfone usado para também embarcarmos com destino a São Luís. Fomos os últimos a embarcar. Em segundos, o trem partiu. Uma odisseia. Mas transmitimos ao vivo – a única emissora- para todo o Brasil- o discurso de inauguração da ferrovia. Lembro que neste trem estava ainda o brilhante repórter da Tv Globo de Brasília,o meu amigo Pedro Rogerio. Como a viagem daquele local até São Luís era longa, a poderosa Tv Globo alugou um helicóptero que levou Pedro Rogério com as fitas da cobertura para a capital maranhense. Com isso, a emissora teve tempo de colocar à noite as imagens no Jornal Nacional. Hoje, dia 28 de outubro de 2026, recebi a seguinte mensagem do Edson Bastos: Verdade meu amigo Tamanini. Esse nosso trabalho foi arriscado mas bem sucedido devido a nossa dedicação profissional. Boa lembrança. Abraços
