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Uma histórica camisa do Fluminense esquecida no bagageiro do ônibus

A final do Campeonato Carioca de 1969 foi decidida em um clássico histórico Fla-Flu no Estádio do Maracanã, em 15 de junho de 1969, com um público de quase 190 mil pessoas. Os gols da vitória tricolor foram marcados pelo meu ídolo de infância, o camisa 7 Wilton Cesar Xavier; Cláudio Garcia – que anos depois conheci em Brasília e joguei com ele no time de futebol do Correio Braziliense e Flávio Minuano, que também conheci anos depois quando atuou pelo Brasília. Fiz,inclusive, uma entrevista com ele de página inteira que saiu publicada no Correio Braziliense onde atuei durante vários anos como repórter esportivo. Técnico Campeão: Telê Santana (Fluminense). Sob o seu comando, o Fluminense disputou o clássico com a seguinte escalação: Félix; Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antônio; Denílson e Lulinha (Samarone); Wilton, Flávio, Cláudio Garcia e Lula (Gilson Nunes). Em sua campanha, a equipe acumulou 12 vitórias, 4 empates e duas derrotas, com 35 gols marcados e 15 sofridos.
Quem estava nesse dia no Maracanã era o pai do Wilton, Euridice Xavier, ex-artilheiro do Atlético Mineiro. Junto com ele o irmão do craque tricolor, Paulo Roberto Xavier. Viajaram de Volta Redonda (RJ) para ver o filho e irmão ser campeão pelo Fluminense. Ao final da partida Paulo Xavier ganhou a camisa que o irmão tinha feito um gol no Flamengo. Ele mesmo conta a história para o blogdotamanini: “Na época em que o Wilton brilhava no clube tricolor das Laranjeiras era dificílimo conseguir uma camisa oficial de qualquer clube. Os clubes tinham poucos exemplares que eram lavados após as partidas para uso dos jogos seguintes. Não havia, como nos dias de hoje, lojas especializadas para comercialização dos uniformes de jogo. – Eu era bem novinho Tinha uns oito anos e morava na minha cidade natal, Volta Redonda. Eu e meu pai íamos da rodoviária Novo Rio a pé até o estádio do Maracanã. Na ida para mim tudo era festa. Não estava nem aí para a caminhada que era longa até ao Maracanã. Na volta para a rodoviária é que o cansaço pegava, mas ainda tinha um pouquinho de disposição pois aquele misto quente com vitamina de abacate estava me esperando na lanchonete da Novo Rio. Depois de uma caminhada de final de festa, encher a barriga entrei no ônibus. Já cochilando em pé, coloquei a camisa que recebi do meu irmão Wilton, juntamente com a bandeira tricolor, no bagageiro de cima. Chegando em Volta Redonda fui para casa e só fui me dar conta da camisa no outro dia quando acordei cedinho para ir para o campinho de pelada e mostrar a camisa para molecada. Tinha esquecido no bagageiro do ônibus. Camisa branca com duas faixas na diagonal, número 14, e o escudo. Chorei, esperniei, coloquei a culpa no meu pai por não ter notado que eu não estava com a camisa ao descer do ônibus. Para completar, levei aquela chinelada da minha mãe”.

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