Meu amigo Geraldo Costa Pinto trabalhou muitos anos no Supremo Tribunal Federal. Tem muitas histórias desde que entrou no STF em 1974 pela via do concurso público. Até escreveu um livro contando suas memórias na Corte. Hoje aposentado continua morando em Brasília, cidade que o acolheu desde que chegou de sua cidade natal,Caicó, no Rio Grande do Norte. Perguntei a ele sobre as famosas cadeiras amarelas instaladas no Pleno e onde já sentaram ministros do quilate jurídico como Sepúlveda Pertence, Francisco Rezek, Moreira Alves, Neri da Silveira, Carlos Velloso, Marco Aurélio Mello e tantos outros.
Meu grande amigo Tamanini. Bom falar contigo. São muitas memórias pra contar. Quanto a cor amarela das cadeiras da plenária, prédio-sede, lembro que, entre 1975 e 1977, houve uma ampla reforma no prédio sede. Tudo foi reformado, inclusive as bancadas com guarnições de metal dourado e tampão de vidro e as ditas cadeiras revestidas de couro, que teve um atraso na entrega e quase não chegando a tempo para a reinauguração. Antes dessa reforma, a entrada principal com vista a Praça dos Três Poderes, era no centro da fachada, onde, hoje, tem uma obra de Cernicciari, entre outras esculturas do Hall de entrada. Passando o acesso a sala plenária, pelas laterais. Eu e minha equipe, nesta época, operaravamos o sistema de som, ao lado da cadeira do Presidente, logo atrás do secretário da plenária. Enfim, foram muitas mudanças que geraram, também, alguns problemas junto a equipe do escritório do Niemeyer. Neste período, antes que me perguntem, informo que as sessões plenárias passaram a funcionar em uma das antigas salas das Turmas, e a biblioteca no Térreo do anexo I. Por enquanto é o que tenho para informar. Fico a sua disposição para futuras demandas.
Inauguração
Brasília comemorou 66 anos em 2025, e a data de sua inauguração ― 21 de abril de 1960 ― também carrega outro marco simbólico: a instalação do Supremo Tribunal Federal (STF) na nova capital. A sessão inaugural aconteceu às 9h30 da manhã, horas depois de Juscelino Kubitscheck, então presidente da República, receber a chave da cidade. “Cabe-me, neste momento, a honra excepcional de inaugurar a sede do STF na nova capital”, declarou o ministro Barros Barreto, presidente do Supremo à época. “Esta obra monumental parece simbolizar, na sua imponência, a magnitude e importância de um dos Poderes da República ― a Justiça ― em sua cúpula”.
A nova sede do STF foi projetada por Oscar Niemeyer para surgir de forma imponente e sólida, mas ainda assim dar a sensação de flutuar sobre a Praça dos Três Poderes. A intenção do arquiteto modernista era expressar o equilíbrio entre a grandeza e a leveza que a instituição representa para a República, em contraste com a opulência eclética do antigo prédio do STF no Rio. Embora a nova sede tenha sido inaugurada junto com a cidade, a mudança definitiva do STF para Brasília ainda levaria mais 40 dias, durante os quais foram decretadas férias forenses. Na prática, o Tribunal continuou a funcionar de forma provisória no Rio de Janeiro até que toda a estrutura do Judiciário tivesse sido transferida. A primeira sessão plenária só aconteceria em 15 de junho de 1960.
As icônicas cadeiras amarelas do Plenário do STF são um marco do design de mobiliário brasileiro e da própria identidade visual da corte. Quem desenhou as cadeiras? A criação do modelo é amplamente atribuída ao arquiteto e designer polonês naturalizado brasileiro Jorge Zalszupin. Na década de 1960, a convite de Oscar Niemeyer, Zalszupin integrou o grupo que concebeu o mobiliário para a nova capital, Brasília. O Modelo: trata-se de uma série especial adaptada sob medida do modelo Ambassador (Versão 2), produzido originalmente pela L’Atelier, a famosa fábrica de móveis de Zalszupin. A Cor e o Estofado: o couro no tom amarelo-ocre foi escolhido estrategicamente para criar um forte contraste visual com as tradicionais vestes (as batas pretas) utilizadas pelos ministros nas sessões
