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Mãe, mãe, últimas palavras do meu tio antes de falecer

Recebi hoje (17.7.2026) o relato abaixo da historiadora e moradora na cidade de Vacaria, no Rio Grande do Sul, Arlene Medeiros de Abreu acrescentando a textos publicados anteriormente no blogdotamanini sobre o acidente aéreo que vitimou meu tio, Irineu Carlos Tamanini, em um manhã de sexta-feira do dia 04 de julho de 1947. Meu tio, então com 19 anos – nasceu em Itarana (ES) no dia 5 de novembro de 1927 – cadete da FAB, pilotava um avião Vultee BT-15 da Força Aérea Brasileira (FAB), destinado ao treinamento básico de pilotos, entre a Base Aérea de Canoas e a cidade de Vacaria, o Rio Grande do Sul. Por ironia do destino, o avião de caça NAAT 6 – prefixo NAAT 6D 1329 teve uma pane e ele foi obrigado a pousar de emergência. Não obteve êxito e faleceu na queda. No dia seguinte meu tio iria receber o brevê de piloto de caça da FAB. Na verdade, ele não precisava ter feito esse voo de treinamento porque obtivera o número de horas necessárias para receber o brevê. Por que? Meu tio Irineu Carlos tinha um amigo inseparável de sobrenome Prestes. Iriam receber o brevê de pilotos na mesma cerimônia, dia 5 de julho de 1947. No entanto, dias antes, o amigo ficou doente e não pode completar o número de horas exigidos para receber o diploma. Meu tio não teve dúvidas: fez um voo até Vacaria usando o nome do amigo. Conclusão: nenhum dos dois recebeu o brevê juntos. O acidente fatal ocorreu quando meu tio sobrevoava a Av. Militar em direção à Av. Moreira Paz. Em meio às manobras o seu avião começou a perder altura, e seguiu em direção às casas e ao chão, como buscando um lugar para pousar. E durante um voo rasante, conseguiu sobrevoar a rua, hoje Av. Moreira Paz e passar por sobre as casas. Várias pessoas, principalmente crianças que jogavam futebol em um campinho improvisado, ficaram paralisadas. Não conseguem nem ao menos imaginar o que iria acontecer. O avião bate na copa de uma árvore típica da região de nome Bragatinga, das regiões mais frias do sul do Brasil e que é muito aproveitada para lenha e para a construção e mobiliário.

Segue o relato da historiadora de Vacaria, Arlene Medeiros de Abreu:

Äcrescento algumas informações ao texto que relata o acidente com o avião da Força Aérea que caiu atrás da residência do Sr. Diniz Soldatelli. Além das duas pessoas já mencionadas no relato, um dos primeiros a chegar ao local do acidente foi também o Sr. Domingos Zamboni, morador da Av. Moreira Paz, nas proximidades do local da queda. Segundo o relato do próprio Sr. Domingos Zamboni, quando ele e os demais chegaram ao local, o piloto ainda estava com vida. Nos seus últimos instantes, repetiu diversas vezes a palavra “mãe” e, logo em seguida, veio a falecer. A fonte dessas informações é o testemunho do próprio Sr. Domingos Zamboni, que viveu até os 106 anos na Av. Moreira Paz”.

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