Os porteiros do meu prédio aqui no Leblon vieram do interior da Paraíba. Gosto de conversar com o Josenildo e o Lourenço para saber as histórias do Nordeste. A última foi do Lourenço, nascido em Queimadas, sobre uma fruta chamada de Quixaba. Fiquei interessado e fui pesquisar no Google, uma vez que, apesar de ter viajado inúmeras vezes para aquela região a trabalho, nunca ouvido falar. Quixabeira (Sideroxylon obtusifolium), também conhecida como quixaba, quixaba-preta, sapotiaba, espinheiro, coronilha, maçaranduba-da-praia ou rompe-gibão, é uma árvore de até 15 m de altura, da família das sapotáceas, nativa do Brasil, mais precisamente dos estados do Piauí e de Minas Gerais, mas também ocorre em outros estados do Nordeste brasileiro. É típica das caatingas onde ocorre em solos de textura argilo-arenosa.
A madeira é dura; a casca tem propriedades adstringentes e tonificantes; as folhas e os frutos são forrageiros, servindo de alimento para o gado na época das secas. Sua casca tem propriedades tônicas, adstringentes e antidiabéticas. Possui espinhos fortes, folhas oblongas e cartáceas, flores aromáticas e bagas roxo-escuras, doces e comestíveis. A casca tem propriedades anti-inflamatórias, sendo utilizada como cicatrizante através de chás ou infusões hidroalcoólicas.
Quixaba advém do vocábulo tupi qüessaba, que significa lugar de dormir, rede ou pouso. Outras variações para esse nome indígena são quiçaba, quixabá e quixá. O início do uso da quixabeira, se deu com os povos indígenas da Caatinga. Atualmente, o povo Fulni-Ô, de Pernambuco, ainda preserva tradições e conhecimentos milenares sobre o uso dessas plantas, em sua medicina. Devido à sua grande utilização na medicina alternativa e ao corte indiscriminado na vegetação das caatingas nordestinas, a espécie está na condição de rara e necessita de incentivos para a sua reprodução e manutenção na flora brasileira.
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