Há 40 anos morria em Vitória, no Espírito Santo, o agrônomo, ecologista e naturalista brasileiro Augusto Ruschi. Nascido em Santa Teresa, na serra capixaba, em 12 de dezembro de 1915, veio a falecer na capital do estado em 3 de junho de 1986. Recebeu o título de Patrono da Ecologia no Brasil, por lei federal de 1994, sendo também um dos ícones mundiais da proteção ao meio ambiente.
O interesse pelo estudo de plantas e animais, desde a infância, o levou a conhecer a fundo diversos ramos da biologia, tornando-se respeitado especialista em beija-flores e orquídeas do Brasil. Ajudou no combate a pragas na agricultura na implantação de diversas reservas ecológicas, como o Parque Nacional do Caparaó e na divulgação da natureza. Montou duas instituições científicas: o Museu de Biologia Professor Mello Leitão (MBML) e a Estaçao Biologia Marinha Augusto Ruschi (EBMAR).
Foi também pioneiro no combate ao desmatamento da Amazônia e antecipou a respeito dos efeitos deletérios do plantio monocultural de eucalipto do uso de agrotóxicos, entre outros problemas ambientais contemporâneos. Sua notável contribuição para o ambientalismo e para as ciências, expressa em suas ações e em seus mais de 400 artigos e mais de 20 livros científicos, foi consagrada através do respeito que ganhou entre os estudiosos de sua época e de muitas homenagens que recebeu em vida e postumamente. Foi professor titular da UFRJ e pesquisador do Museu Nacional.
Sua vida é mal documentada e tem muitos fatos confirmados somente pelo próprio cientista. Augusto Ruschi nasceu em uma família de imigrantes italianos, sendo o oitavo dos doze filhos de Giuseppe Ruschi e Maria Roatti. Seu pai, natural de Montescudaio, na região de Pisa, era engenheiro agrônomo, trabalhava na topografia e construção, e migrara para o Brasil em 1894 contratado pelo governo para organizar a colonização de Palmeira, no Paraná. Depois fixou-se em Santa Teresa, no Espirito Santo, realizando medições topográficas e coletando impostos. Ali Giuseppe conheceu sua futura esposa. Os Ruschi são uma família de grande antiguidade, alegadamente remontando aos tempos de Nero, quando um certo Ruscus teria servido como secretário do imperador romano e dado origem ao nome familiar. Foram enobrecidos na Idade Média, e vários de seus membros se notabilizaram no estudo científico e no trabalho com plantas. Augusto Ruschi casou duas vezes: primeiro com Claide, com quem teve dois filhos, Augusto Filho e André, em segundas núpcias uniu-se a Marilande, com quem foi pai de Piero.
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