A minha amiga Ligia Girão – hoje residindo em Portugal – era da rádio Globo e foi designada para cobrir a visita do presidente José Sarney e dona Marly ao Papa João Paulo II, no Vaticano, em 10 de julho de 1986. Foi abençoada e pode assistir assistir à missa que o Papa celebrou em sua capela particular para o casal presidencial brasileiroTem m. Vou esperar que a Ligia envie alguns detalhes dessa cobertura. O espaço está aberto. A Ligia leu, gostou e respondeu:
– Que barato! Tem mais caroço nesse angu. Vou contar tudo. Eu beijei a mão do Papa porque não sabia que deve-se beijar o anel e não a mão. Também comunguei e não sabia o que dizer quando o Papa fala “o corpo de Cristo”.
Vou detalhar Tamana
Essa história de ter beijado a mão do Papa foi curiosa. Na hora da entrega dos presentes havia uma filha e o presidente Sarney recebeu o dele. Só que no momento de receber o presente todos os que estavam naquele ambiente, inclusive eu, recebemos um terço e uma caixinha linda que eu dei de presente para a minha mãe quando voltei para o Brasil.Só que na hora de receber o presente o agraciado se agachava e eu via porque também estava na fila atrás do ministro José Hugo Castelo Branco (aquele que tinha o cabelo branco com mechas azuladas). Eu me abaixei e beijei a mao papal. Um dos ministro virou-se para mim e disse: minha filha, não se beija a mao do papa. Beijamos o anel.
A outra que foi o corpo de Cristos o Papa rezou a missa em poortuguês e eu falei para o assessor de imprensa do Sarney, o Fernando Cesar Mesquita, que ia comungar. Ele comentou: Ligia, não pode. Voce tem que confessar antes. Não, eu vou comungar. Estou aqui na frente de Sua Santidade e fui. Na fila estavam o presidente Sarney, dona Marly, alguns ministros. Era a mesma ordem. Como fui a escolhida aproveitei para visitar a capela privada do Papa. Estudei a minha vida toda em colégio de freiras. O Papa dizia o corpo de Cristo e os presentes falavam algo que eu não conseguia compreender. Pensava comigo mesma: tenho que lembrar disso. Finalmente, o ministro José Hugo estava na minha frente e eu ouvi ele dizer “amém”. Estava suando de nervoso quando recebi a hóstia e disse “amém”. Estava toda de preto, véu, camisa de manga comprida e saia. A Ana Amélia Lemos emprestou a saia comprida, comprei um véu do lado de fora do Vaticano e aproveitei para fazer uma foto ao lado da guarda suíça. Eram uns guardas gigantescos e eu toda de preto e magra demais. Na volta ao Palácio do Planalto, ao entrar no Comitê de Imprensa, lembro que o Cesar Mota quando viu a foto não se conteve e disse “gente, essa é a mulher do cabra marcado para morrer.
Isso é para ilustrar o que lembro daquela época. Maravilhosa essa sua iniciativa. Beijos.
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