Minha mãe, Cely Passos Tamanini, morava com meu pai, Waldemar Henrique Tamanini, no segundo andar (de frente para a rua) de um prédio na Rua Carlos Gois, no Leblon. Ela adorava, assim como o meu pai, ficar na janela olhando o movimento na calçada, as arvores, o Cristo Redentor de um lado e a praia do outro. Certa vez a moradora do andar de cima participou de uma reunião de condominio do prédio e houve uma discussão acalorada com uma outra vizinha, um pouco mais idosa. Esta vizinha não suportou a discussão e foi levada para o hospital com a pressão alterada. Minha mãe não sabia de nada porque não participava de reuniões de condominio. No dia seguinte da briga minha mãe estava, como de costume, vendo o movimento da rua na janela. De repente, o marido da senhora quer passou mal abriu o portão de entrada do prédio, viu minha mãe na janela e começou a gritar: “chame seu marido, quero falar com ele de homem para homem”. Minha mãe não entendeu nada e retrucou dizendo que não ia chamar o marido. Fechou a janela e foi reclamar com meu pai. “Tem um doido gritando lá de baixo querendo falar com você. Não sei o que está acontecendo mas ele está muito descontrolado”. Meu pai usou o interfone e perguntou ao porteiro Edmilson o que estava acontecendo. Ele também não sabia. Viu apenas o morador aos berros já na parte interna do prédio. O morador nervoso foi reclamar com o síndico e caiu na real. Ele contou o número errado de andar e acabou jogando toda a sua raiva na moradora do segundo andar (no caso minha mãe) quando na verdade a briga era com a moradora do andar de cima e que não estava na janela. Muito envergonhado ligou pelo interfone para o meu pai e pediu mil desculpas pelo equívoco. Mandou até uma garrafa de vinho para o meu pai.
Obs: o porteiro do prédio, Edmilson, hoje aposentado, leu a notícia e enviou um comentário: “ Eu lembro muito bem desse dia mais depois ficou tudo certo”.
