Minha saudosa mãe Cely Passos Tamanini – Cely Passos Flores, nome de solteira – nasceu em Pirai (RJ) em 19 de abril de 1931, mesmo dia e mês que nasceram Getulio Vargas e Roberto Carlos, onde passou a infância e a adolescência quando então deixou a cidade – cerca de cem quilômetros do Rio de Janeiro – e se mudou para a Cidade Maravilhosa. Na infância o seu avô – Adelino Dias Passos – era o delegado de Pirai e proprietário de terras onde cultivava o arroz e café. Era, na verdade, o homem forte da cidade. Ele gostava demais da neta e ajudou até na formação na sua escolar. Quando ela seguiu para o Rio, seguindo a sua orientação, ele continuou mandando recursos para que ela pudesse sobreviver na cidade. Minha mãe trabalhava em uma joalheria na cidade mas a ajuda financeira do avô era fundamental.
O avô paterno da minha foi tão importante em Pirai nos anos 30 que foi imortalizado com o nome de uma praça, a Praça Adelino Dias Passos. A proximidade de uma lagoa e um brejo, junto à construção do prédio do Paço Municipal em 1840, levou a Câmara Municipal de Piraí a realizar uma campanha para angariar fundos para o aterro. Em 1841, a lagoa ainda preocupava os vereadores, sendo assim o Comendador Silvino José da Costa pede ao Presidente que se faça o aterramento da lagoa que ficava atrás da Casa da Câmara e da Rua Direita, tudo era brejo e não fazia sentido ter ao lado de um prédio recém-construído um local fétido que espantava os visitantes e transeuntes. Depois de feito o aterramento da lagoa e do brejo surgiu ali um grande largo onde crescia um capinzal e também proliferavam os formigueiros, vendo isto a Câmara Municipal decidiu construir ali uma grande praça que passou a ser chamado de “Largo Municipal”.
Acredita-se que foi nessa época que foram plantadas as palmeiras imperiais com mudas vindas da “Palma Mater”, 1º exemplar plantado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro em 1809. Com a Construção do Teatro em meados dos anos 1850, o local passou a ser chamado de “Largo do Teatro”. Em 1865, A Câmara Municipal concede a Irmandade do Rosário um terreno para construir sua capela com isso o local já fazia por merecer outros melhoramentos. Em 1867, o local é cercado para proteção das árvores ali plantadas também dessa época é a colocação do chafariz.
A partir de 1878/79, começa a grande obra que vai dar forma definitiva ao traçado do jardim para isso promove serviços de desaterros e escavações e conta com Augusto Garnier que desenha seu traçado e fornece plantas para o mesmo jardim. Com a demolição do Teatro e a desistência da Irmandade do Rosário em construir sua capela o local passou a receber as pessoas que ali vinham admirar suas plantas e flores que eram cuidadas pelo conservador do Jardim Municipal (jardim do Paço da Câmara). Em 1892, o Largo Municipal passa a se chamar “Praça D. Ana Haritoff” e em 1898, “Praça Marechal Bittencourt”. No Governo do Dr. Domingos Mariano (1916-1918), são plantadas novas árvores e flores e o local passa a ser chamado de “Horto Municipal”. No final da década de 1940, o chafariz um dos símbolos do local é trasladado para o Largo da Ponte (Praça Adelino Dias Passos). A praça por fim passou a ser chamada “Praça da Preguiça”, por causa dos mamíferos que ali habitavam.
A Lei Ordinária número 354, de 29 de abril de 1993, editada pela Câmara Municipal de Pirai, altera para Adelino Dias Passos a denominação da praça da Preguiça.
