A história é da camisa oficial do craque Wilton, ponta-direita do Fluminense na década de 70. Quem conta é seu irmão, Paulo Roberto Xavier, nascido e criado em Volta Redonda (RJ) e filho do artilheiro do passado do Clube Atlético Mineiro, Eurydice Xavier. Na época em que o Wilton brilhava no clube tricolor das Laranjeiras era dificílimo conseguir uma camisa oficial de qualquer clube. Os clubes tinham poucos exemplares que eram lavado após as partidas para uso dos jogos seguidos. Não havia, como nos dias de hoje, lojas especializadas para comercialização dos uniformes de jogo.
– Eu era bem novinho Tinha uns oito anos e morava na minha cidade natal, Volta Redonda. Eu e meu pai íamos da rodoviária Novo Rio a pé até o estádio do Maracanã. Na ida para mim tudo era festa. Não estava nem aí para a caminhada que era longa até ao Maracanã. Na volta para a rodoviária é que o cansaço pegava, mas ainda tinha um pouquinho de disposição pois aquele misto quente com vitamina de abacate estava me esperando na lanchonete da Novo Rio. Depois de uma caminhada de final de festa, encher a barriga entrei no ônibus. Já cochilando em pé, coloquei a camisa que recebi do meu irmão Wilton, juntamente com a bandeira tricolor, no bagageiro de cima. Chegando em Volta Redonda fui para casa e só fui me dar conta da camisa no outro dia quando acordei cedinho para ir para o campinho de pelada e mostrar a camisa para molecada. Tinha esquecido no bagageiro do ônibus. Camisa branca com duas faixas na diagonal, número 14, e o escudo. Chorei, esperniei, coloquei a culpa no meu pai por não ter notado que eu não estava com a camisa ao descer do ônibus. Para completar, levei aquela chinelada da minha mãe. kkkkk
