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O dia em que escalei o Pão de Açúcar

Pouca gente sabe, mas o Pão de Açúcar esconde curiosidades tão absurdas que muita gente passa anos sem descobrir nenhuma delas. Eu, por exemplo, visitei o Pão de Açúcar pela primeira vez quando tinha 12 anos e estudava no Colegio São Bento, na praça Mauá, aqui no Rio de Janeiro. Fui levado por dom Romualdo, vice-diretor do colegio e amante do alpinismo. Era um sábado e só contei para os meus pais quando voltei para casa com o uniforme do colégio todo sujo. Quando cheguei no topo do Pão de Açúcar perguntei a dom Romualdo. Vamos voltar de bondinho? Ele respondeu: vamos descer pelo mesmo lugar que subimos. Nunca mais fiz uma escalada mas admito que gostei da experiência no Pão de Açúcar.

O nome “Pão de Açúcar” provavelmente vem dos blocos cônicos usados no período colonial pra moldar açúcar durante a purga da cana. A semelhança da montanha com aquele formato chamou atenção desde séculos atrás.

O Bondinho do Pão de Açúcar foi inaugurado em 1912 e era considerado um projeto quase absurdo pra época. Quando começou a funcionar, só existiam outros dois teleféricos parecidos no mundo inteiro.

Mais de 400 operários-escaladores participaram da construção do bondinho carregando peças nas costas até o topo dos morros. Alguns pinos usados por eles ainda existem na pedra até hoje.

O projeto original previa uma terceira linha do bondinho ligando o Morro da Urca ao Morro da Babilônia, no Leme. A ideia acabou descartada por questões de segurança nacional.

O primeiro bondinho tinha capacidade pra apenas 22 pessoas por viagem. Mesmo assim, 577 passageiros subiram já no primeiro dia de funcionamento em 27 de outubro de 1912.

O Pão de Açúcar é formado por um bloco de gnaisse-granito com mais de 600 milhões de anos, ligado aos processos geológicos da separação entre América do Sul e África.

Antes do bondinho existir, chegar ao topo do Pão de Açúcar exigia escalada pesada. No fim do século XIX, o local já atraía aventureiros e alpinistas pela vista da Baía de Guanabara.

Os bondinhos antigos eram feitos de madeira e importados da Alemanha. O nome “bondinho” surgiu pq os carros lembravam os bondes elétricos que circulavam pelo Rio naquela época.

Em 1972, o sistema foi totalmente modernizado com os famosos bondinhos em formato de “bolha”, aumentando drasticamente a capacidade de passageiros por hora.

O conjunto formado pelo Pão de Açúcar, Morro da Urca, Cara de Cão e Babilônia foi tombado pelo Iphan em 1973 por sua importância histórica, geográfica e paisagística pro Rio.

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