Em 8 de abril de 1994, Cuiabá (MT) foi palco de uma experiência que entraria para a história da democracia brasileira. Na Escola Estadual Ana Maria do Couto, no bairro CPA II, o TRE-MT e o TSE realizaram uma eleição simulada para testar uma nova forma de votar, com a presença de grande número de eleitores e até filas de votação.
Era a chamada “máquina de votar”, o primeiro protótipo mato-grossense da futura urna eletrônica. À frente da experiência estava Luiz Roberto da Fonseca, então secretário de Informática do Tribunal Regional Eleitoral. A ideia era ousada: substituir a cédula de papel por um sistema eletrônico simples, rápido e menos vulnerável às fraudes.
A população do bairro foi convocada a participar e respondeu positivamente ao chamado da Justiça Eleitoral. O teste chamou a atenção do Tribunal Superior Eleitoral e de representantes de diversos Tribunais Regionais. Estiveram presentes o então presidente do TSE, ministro Sepúlveda Pertence, e outras autoridades da Justiça Eleitoral. A repercussão nacional ficou por conta do jornalista Irineu Tamanini, então responsável pela comunicação do TSE. O sucesso do trabalho contou a ajuda fundamental do então diretor do jornal Diário de Cuiabá, jornalista Americo Corrêa.
Na primeira etapa, foi utilizada uma urna eletrônica acompanhada de quatro cabines de votação. Depois, duas urnas foram colocadas em funcionamento, permitindo avaliar o desempenho do sistema em condições mais próximas de um pleito real. Ao final, os votos foram apurados e os resultados transmitidos eletronicamente. A experiência demonstrou que era possível informatizar não apenas a votação, mas também a apuração e a transmissão dos resultados.
O protótipo desenvolvido em Mato Grosso seria posteriormente analisado e aperfeiçoado pelo TSE. Em 1995, Luiz Roberto integrou a comissão nacional encarregada de definir as características da nova urna. A solução concebida pela Justiça Eleitoral mato-grossense contribuiu para requisitos que chegaram ao modelo nacional.
Em 1996, a urna eletrônica começou a ser utilizada oficialmente em parte das eleições municipais brasileiras. Em 1998, sua utilização foi ampliada para municípios com mais de 40 mil eleitores. E, em 2000, o Brasil realizou sua primeira eleição integralmente informatizada.
Assim, uma escola pública de Cuiabá tornou-se laboratório de uma transformação histórica do processo eleitoral brasileiro. E Luiz Roberto da Fonseca, junto com sua equipe do TRE-MT, teve papel pioneiro nessa trajetória. A história mostra que a revolução da urna eletrônica começou muito antes de sua adoção nacional — e teve em Mato Grosso um de seus primeiros capítulos.
Um aspecto importante: quem utilizava o nome “urna eletrônica” era Luis Roberto da Fonseca. Na primeira lei ou resolução eleitoral que tratava do equipamento, o nome utilizado foi CEV Coletor Eletrônico de Votos. A estória é que o pessoal do TSE achava que Fonseca tivesse registrado o nome “urna eletrônica”, o que não era fato. o que existia na época era muito ciúme com a tentativa de encontrar um bom protótipo, desenvolvido por TREs como o de Mato Grosso, Minas Gerais e no próprio TSE. O de Mato Grosso usava um terminal numérico daqueles usados em caixas fisicos de banco, acoplado a um laptop, equipamento que evoluiu.
