Pouca gente sabe ou se lembra que o cantor e compositor Cat Stevens morou no Rio de Janeiro por cerca de quatro anos na década de 1970. O cantor buscou refúgio na cidade para fugir da intensa pressão da fama e de altas taxas de impostos na Inglaterra. Nao escolheu Copacabana. Ficou em uma casa no Joá e depois manteve um imóvel na Fonte da Saudade (perto da Lagoa e do Humaitá) até 1982. Foi no Brasil que compôs parte do álbum Foreigner (1973) e teve os primeiros contatos com a leitura do Alcorão antes de se converter e adotar o nome Yusuf Islam.
Ele ainda era conhecido como Cat Stevens quando visitou o Rio de Janeiro, em fevereiro de 1974, ficou fascinado pelo Rio. No ano seguinte, aproveitou uma brecha na legislação fiscal inglesa e resolveu morar aqui. Alugou uma casa da atriz Odete Lara, na Joatinga, e depois comprou uma cobertura na Fonte da Saudade, que serviu como seu refúgio por cerca de três anos, nos intervalos das longas turnês mundiais. A rotina de popstar incluiu embalos pela noite carioca, embora o encanto pela vida no Rio tenha se perdido depois de um maior contato com a realidade da cidade.
— Tinha um estilo de vida fabuloso, mas ao mesmo tempo via muita pobreza e gente perdendo suas casas todas as vezes que chovia muito. Mas a música brasileira é fenomenal, cheia de harmonias geniais — lembrou Islam, numa entrevista a um jornal carioca em 2009.
Nascido em 21 de julho de 1948 em Marylebone, Reino Unido, filho de uma sueca e de um grego, seu nome de batismo é Steven Demetre Georgiou — o pseudônimo Cat Stevens ele adotou em 1965, ao assinar seu primeiro contrato discográfico. Em sua temporada “carioca”, o músico já fugia do perfil habitual de estrelas do rock. Aqui, buscava o anonimato, mas acabou descobrindo que já era um sucesso também entre os brasileiros. Na primeira visita, ficou hospedado na suíte presidencial do Leme Palace Hotel. Depois, alugou a casa de Odete até comprar o apartamento da Rua Baronesa de Poconé. O imóvel, de quatro quartos, só seria vendido em 1982, quando o músico já tinha se convertido ao islamismo.
No Rio, Cat Stevens fez amigos como o percussionista Chico Batera que, numa entrevista em 2006, contou ter levado o astro a Madureira e à Ilha do Governador. Num bar na Freguesia, o inglês quis tocar com Batera. O dono concordou, desde que fosse apenas uma música. “Logo começou a juntar gente, que o reconheceu”, lembrou o percussionista, que guardou outra impressão do compositor. “Ele queria casar e ter filhos, mas reclamava que as mulheres só se aproximavam dele por ser um artista de sucesso”.
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