No dia 15 de janeiro de 1985 – data do meu aniversário – cobri como repórter da EBN, agência de notícias do governo, a eleição para presidente da República do senador Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral. No dia seguinte, passei a cobrir o comitê de campanha do Tancredo, no prédio da Fundação Getulio Vargas, na Asa Norte. No dia 22 de janeiro cobri a primeira viagem do presidente eleito à cidade de Barra do Garças em Mato Grosso. Ele cumpriu uma promessa ao ex-senador Valdon Varjão para receber o titulo de Cidadão Barragarcense, marcando um momento histórico para o estado. Depois, cobri a segunda viagem, desta vez para Belo Horizonte e São Joao Del Rey. Na capital mineira, Tancredo Neves ficou hospedado no Palácio das Mangueiras. Permaneceu todo o tempo recluso, não deu entrevistas e depois seguiu para São Joao Del Rey. Na cidade mineira ele desapareceu e ninguém dava qualquer tipo de informação. Voltei para BH e descobri que ele deixara a sua cidade natal às pressas e voltara para o Palácio das Mangueiras. Pressionamos muito a assessoria, principalmente o seu chefe da segurança, já falecido, coronel Pimenta da Polícia Militar mineira, e ele acabou concedendo entrevista, sentado na sala, vestido com um roupão robe de chambre, onde justificou o sumiço em São Joao del Rey que quase enlouqueceu os repórteres. De volta a Brasilia, cobria diariamente a Granja do Ipê, onde ele ficara hospedado e no restante do dia o escritório na Fundação Getúlio Vargas. Na noite do dia 14 de março de 2026, fui designado para acompanhar a sua internação no Hospital de Base. Eu morava ao lado, na SQS 102, e fui no sacrifício. Na tarde deste dia, estava de folga e fui jogar uma “pelada” no Iate Clube de Brasilia. Escorreguei e tive que levar dez pontos no joelho no Hospital das Forças Armadas. Após passar por cirurgias de emergência no Hospital de Base de Brasília na véspera de sua posse, em 14 de março de 1985, o presidente eleito Tancredo Neves foi transferido para o Instituto do Coração (InCor), em São Paulo no dia 26 de março de 1985. No dia seguinte eu já estava de plantão na calçada do Instituto do Coração. Tancredo faleceu no local em 21 de abril, após 38 dias de internação.
