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Quase cinco décadas sem meu amigo Paulinho

O dia 17 de setembro de 2026 é uma data triste na minha vida. Neste dia, há 48 anos, perdia um dos melhores amigos que fiz ao chegar em Brasília e começar a exercer a minha vida de repórter no Correio Braziliense, em maio de 1976: o brilhante repórter fotográfico e cinegrafista Paulo Ribamar Alves Marques. Nascido em Campina Grande (PB) no dia 25 de agosto de 1955, Paulinho tinha apenas 22 anos e bateu com o seu Maverick, de madrugada, na pista principal do Lago Norte, onde residia. Paulinho estava de casamento marcado com Eulália Franco, assessora do então editor-chefe do jornal, Oliveira Bastos.
Tenho uma passagem muito interessante do Paulinho. Ele era torcedor fanático do Santos de Pelé. Eu tinha dois grandes amigos que jogavam no seu time de coração: o lateral-direito Zé Maria, ex-Fluminense e Internacional de Porto Alegre, e o meio-campista Bianchi, já falecidos. O Santos foi jogar em Brasília na inauguração do estádio Jornalista Augustinho Lima (outro grande amigo que perdi em acidente de carro, de madrugada na entrada da subida de Sobradinho). Paulinho foi com a delegação do Santos para o estádio. O primeiro gol do estádio foi feito em um voleio espetacular de Bianchi. Paulinho, com a sua qualidade profissional, registrou o voleio. A foto ficou lindíssima. Dias depois, Paulinho me entregou a foto ampliada com uma dedicatória para o Bianchi. Enviei para a sua casa em Santos. Ele ficou muito agradecido e ligou para o Paulinho para agradecer.
Outra passagem interessante com Paulinho. Ele morreu na madrugada de sábado para domingo. O Correio Braziliense fez uma ampla matéria sobre o acidente mas, por incrível que pareça, nao tinha uma foto do Paulinho. Somente fotos tiradas pelo Paulinho. Eu tinha e foi a foto publicada na edição de segunda-feira. A foto era a formação do time de futebol dos jornalistas em partida realizada no Clube de Imprensa. Paulinho na ponta-direita e eu ao seu lado. Outra passagem: na noite anterior ao acidente fatal, eu estava estacionando meu carro no estacionamento do prédio antigo do Correio Braziliense e Paulinho indo embora no seu Maverick. Lembro até hoje ele acenando. É a última imagem que tenho do meu amigo.
Que continue descansando em paz.

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