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Minha mãe veio morar no Rio com 14 anos

Minha saudosa mãe, Cely Passos Flores e depois de casada Cely Passos Tamanini, ficou órfã de pai e mãe aos 5 anos e 6 meses. Minha avó, Nair Passos Flores, faleceu em casa, em Pirai, no dia 14 de setembro de 1935, às 21 horas, por tuberculose e astenia cardíaca. Já meu avô, Ary Flores, foi assassinado a tiros pelo cunhado (irmão de Nair) Octávio Dias Passos, em 18 de março de 1936, na rua Barão de Pirai, em frente à subida da igreja, por motivo passional. Todos meus avós maternos estão enterrados no cemitério de Pirai. Muitos anos depois meu saudoso pai, Waldemar Henrique Tamanini, decidiu levar do cemitério São João Batista, na zona sul do Rio de Janeiro, meus avós paternos para o cemitério de Pirai.
A partir do momento que minha mãe e meu saudoso tio, Celmo Passos Flores, ficaram órfãos eles passaram a morar na casa do avô, Adelino Dias Passos, empresário na área de arroz, delegado da cidade e gerente do único banco de Pirai. Os dois estudaram em escolas públicas no primário e foram cuidados por duas tias solteiras: Celene e Polida, filhas de Adelino. Como as duas não tratavam bem minha mãe (ela era proibida até de entrar em casa pela porta da frente), o avô decidiu envia-la, aos 14 anos, para morar na cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente no bairro de Vaz Lobo, na casa de dona Silvia, uma amiga de muito tempo de sua falecida mãe. No Colégio Republicano, em Vaz Lobo, estudou até a 4a série ginasial. Não chegou a cursar o cientifico. Fez o que se chamava na época o curso comercial. O uniforme era uma saia verde e camisa branca.
Terminado o curso conseguiu um emprego na já extinta Joalheria Monroe, localizada na rua 7 de setembro esquina com a rua Uruguaiana, no centro. A joalheria ficava localizada em frente à loja Cavê. Os proprietários eram seu Alexandre e o irmão Alberto. Minha mãe trabalhava no caixa da joalheria. Diariamente, de segunda a sábado, minha mãe saia de casa em Vaz Lobo e ia no trem parador da Central do Brasil até o seu trabalho.
Em um sábado, por volta das 12 horas, do dia 19 de novembro de 1949, já com 18 anos, minha mãe estava voltando para casa de trem , juntamente, com duas amigas, quando trocou olhares com um jovem que estava em pé no mesmo trem. Esse jovem, também com 18 anos, trabalhava na Columbia Companhia de Seguros, de Vida e Ramos Elementares, de segunda a sábado na cidade e estava, assim como a minha mãe, voltando para casa. A Columbia funcionava no edifício Andorinhas, que anos mais tarde pegou fogo em uma das maiores tragédias do Rio de Janeiro. Antes de conseguir o emprego na Columbia, meu pai foi trocador de ônibus na linha Marechal Hermes-Cascadura. A empresa pertencia a uma cooperativa de ônibus e tinha sede na Vila Valqueire. Ele residia com os pais em uma vila em Quintino.
Quatro anos após essa troca de olhares no trem da central, no dia 19 de dezembro de 1953, meus pais se casaram no Convento da Penha, em Vitória (ES), onde eu, mais tarde, fui batizado. Nasci no Rio de Janeiro em 15 de janeiro de 1955.

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