Passei a vida de repórter a bordo de um avião, no Brasil e no exterior. Na região amazônica vivi momentos tensos. Certa vez, estava em Macapá, no Amapá e tinha um ótimo relacionamento com o então governador Annibal Barcellos, primeiro governador eleito do estado (antes era Território Federal). Tinha que ir para Cametá, no Pará, cidade que somente se chega de barco ou avião, para cobrir uma viagem oficial do presidente Sarney. Pedi ao governador para usar o avião do governo. Ele concordou. Ao chegar em Belém, primeira etapa da viagem, ouvi um barulho estranho mas não dei muita atenção. Ao pousar o comandante da pequena aeronave avisou que tínhamos atropelado um urubu. Por pouco o animal não bateu no vidro. Se isso tivesse acontecido, não estaria aqui contando essa história.
Obs: nunca fui assessor do Annibal Barcellos. Apenas uma ótima relação com ele e a mulher, dona Mariinha. Antes de ser governador do Amapá, Barcellos foi diretor do Clube Piraque, no Rio de Janeiro. A ilha Piraquê é uma de diversas ilhas brasileiras que levam esse nome e está na zona sul do Rio de Janeiro, no local conhecido anteriormente como Laguna de Capôpenypau, depois de Sapopemba, Amorim e, finalmente, Lagoa Rodrigo de Freitas. A separação da ilha da margem da Lagoa se dava por um estreito braço no estuário do rio dos Macacos – antigo rio Piraquê. Apesar de sempre ter se destacado pela beleza de suas águas, o local já apresentava, naquela época, sinais de estagnação em função de assoreamentos. A ilha do Piraquê aflorou provavelmente do assoreamento que se formou na foz do rio dos Macacos.
